Ética: o que pensam Aristóteles, Kant e os utilitaristas

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Um dos pilares do estudo de Filosofia é entender o que significa a ética. Muitos autores teorizavam sobre seus conceitos pessoais do que é a ética, no entanto, de uma maneira geral, ela pode ser definida como o estudo das motivações humanas a realizarem ações cotidianas e a tomarem decisões do que é considerado particularmente bom ou mau.

Por ter diversas ramificações, o objetivo desse artigo é tratar de três correntes principais para o estudo da ética para o ENEM. Aristóteles, Kant e o Utilitarismo são vertentes fundamentais que sintetizam a essência do que é estudar Filosofia, mais especificamente o ramo da ética.

  • Aristóteles

Aristóteles viveu na Grécia Antiga e focou seu estudo no conceito de virtude. Ele escreve um livro chamado “Ética a Nicômaco” para seu filho e nele, afirma que a ética está relacionada com a busca da construção pessoal de um ser virtuoso. Logo, o fim das ações humanas é a virtude.

E o que seria virtude? Para Aristóteles, é praticar justiça e esse preceito está relacionado com a “Justa Medida”. O filósofo diz que o indivíduo deve sempre evitar os extremos e seguir o justo, ou seja, aquilo que se ajusta segundo ele. Um vestibulando virtuoso, por exemplo, evita estudar 12h diárias, porém também não dedica-se apenas 1h por dia; deve sempre procurar um meio termo.

A ética aristotélica é também conhecida como “Ética Teleológica”. Esse termo é de origem grega da palavra “Telos”, que significa “finalidade”. Aristóteles afirma que tudo possui uma finalidade, que é ser feliz. Todas as ações humanas objetivam a felicidade, até mesmo objeto inanimados – como por exemplo, um livro; ele só será feliz quando realizarem seu objetivo: ser lido.

Em síntese, Aristóteles afirma que a base da ética é a finalidade de ser feliz. O que julgamos como bom e mau ou bem e mal está relacionado com o que acreditamos que irá suprir melhor o nosso estado de espírito de ser feliz.

Um homem só é virtuoso quando alcança a felicidade e para tal, ele precisa seguir a Justa Medida.

(Ler mais sobre o filósofo)

  • Kant

Kant foi um dos principais filósofos iluministas do século do século XVIII. O “Século das Luzes” influenciaria seus trabalhos na valorização do racionalismo, ou seja, o apreço pela abordagem racional dos temas envolvendo o homem, fugindo de explicações metafísicas.

A ética kantiana afirma que o que deve guiar as ações do homem é a razão, ela deve ser universal independentemente da cultura que o indivíduo insere-se. Antes de realizar qualquer ato, devemos nos perguntar “isso fará o bem do coletivo?”. Se sim, é uma atitude ética, se não, é antiético.

Kant também diferencia dois tipos de ações: “agir por dever” e “agir conforme dever”. Quando agimos objetivando um outro fim além da própria ação, essa seria uma ação antiética – agir conforme o dever. Quando agimos objetivamos a realização da própria ação sem ganhar nada em troca, essa seria uma ação ética – agir por dever.

Por fim, Kant desenvolve um de seus principais conceitos, o Imperativo Categórico. Para ele, quando um indivíduo encontrar-se diante de um dilema, sem saber o que seguir, ele deve perguntar-se “seria saudável para a sociedade se todos fizessem isso que estou prestes a fazer?”. Se não for, você deve evitar a ação, através do uso da racionalidade.

  • Utilitarismo

O Utilitarismo é uma corrente filosófica do século XIX que surge como uma resposta contrária às afirmações de Kant. Para os Utilitaristas, a ética não estaria tão relacionada com o corpo social como um todo, mas sim como o próprio nome já diz, com a sua utilidade.

Para os utilitaristas, mentir – por exemplo – pode ser ético, pois sua utilidade pode evitar transtornos maiores. Isso contradiz completamente a ideia do Imperativo Categórico de Kant, pois segundo o iluminista, se todos mentissem, isso não seria saudável para a sociedade, logo, deve-se evitar. No entanto, os utilitaristas afirmariam “A mentira só pode ser considerada prejudicial dependendo da ocasião que se enquadra”.

Um dos principais pensadores dessa corrente foi Jeremy Bentham e o pensamento dessa corrente pode ser resumido em duas frases desse filósofo:

“É inútil falar do interesse da comunidade sem entender qual é o interesse do indivíduo.”

“Todo ato humano, norma ou instituição, deve ser julgado segundo a utilidade que tem, isto é, segundo o prazer ou o sofrimento que produzem às pessoas.”

Na aula do curso Foca nas Humanas, o professor de Filosofia, Paulo Andrade, fala sobre as principais correntes da ética:

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Graduando em História na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É mais ligado à área de humanas e atua hoje como monitor de História no QG do ENEM. Além de ser apaixonado por cinema, ama Mitologia e sua meta de vida é viajar pelo mundo.