O Enem será Reformulado?

Na opinião de Cleuza Repulho, pedagoga e representante do Movimento pela Base Nacional Comum, hoje o Enem é menos conteudista que outros vestibulares, mas ainda mantém a importância e o peso dos conteúdos.

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Postado: 8 de setembro, 2016 - Atualizado: 24 de outubro, 2017

Desde sua criação, em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passou por diversas transformações, mas, aos 18 anos, vive suas crises existenciais. Especialistas em Educação apontam que o Enem é um importante recurso de promoção do acesso ao ensino superior, contudo indicam que o exame precisa avaliar outras competências além do conteúdo das disciplinas, ou seja, deve levar em consideração o cotidiano dos candidatos.

A presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, afirmou que o Enem se tornou mais um vestibular tradicional baseado em uma “lista de conteúdos”. A secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães, ressaltou que o Ensino Médio “virou cursinho preparatório para o Enem” e defendeu adequação do exame à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), por exemplo.

Antônio Freitas, membro da Academia Brasileira de Educação, admite que o formato atual do exame influencia a preparação. Se um candidato vai participar do processo seletivo para a Polícia Federal, esse candidato vai se preparar a partir do programa da Polícia Federal. Da mesma forma acontece com o Enem, que hoje é muito direcionado para o processo seletivo nas universidades.

Na opinião de Cleuza Repulho, pedagoga e representante do Movimento pela Base Nacional Comum, hoje o Enem é menos conteudista que outros vestibulares, mas ainda mantém a importância e o peso dos conteúdos. O Enem assim como todas as avaliações, é passível de transformações. A grande transformação só virá quando tivermos uma Base Nacional Comum, porque, atualmente, os ajustes do exame são feitos com base naquilo que a gente gostaria que ele fosse, comenta.

Em uma educação pontuada por contrastes, o Enem quando comparado com as escolas brasileiras parece estar adiante pedagogicamente falando. As questões são contextualizadas, diferentemente dos exercícios que caem de paraquedas e o aluno não entende para o que serve. O Enem é como uma provocação para que as escolas repensem o seu ensino.